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Greve dos motoristas já é a maior em 30 anos do transporte coletivo de Campo Grande

  • midiacampograndems
  • 4 de jan.
  • 3 min de leitura

Em 1994, trabalhadores das empresas de ônibus pararam por três dias e só voltaram após decisão do TRT


Motoristas entraram em greve na segunda-feira. (Foto: Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)
Motoristas entraram em greve na segunda-feira. (Foto: Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

A greve no transporte coletivo de Campo Grande chega ao quarto dia nesta quinta-feira (18) e se torna a maior já registrada em 31 anos. A última paralisação total foi em três dias de outubro de 1994.


Como mostrou o Jornal Midiamax no domingo (14), a greve de 1994 também mergulhou Campo Grande no caos. A diferença principal entre os dois movimentos é que, em 2025, os trabalhadores decidiram ignorar a ordem judicial de voltar ao trabalho e mantêm a decisão de retornar apenas se receberem todos os salários atrasados.


Nos últimos anos, a categoria fez apenas paralisações de apenas um dia. Isso aconteceu em 2022 e em 2025. Em ambos os casos, o movimento foi um alerta dos trabalhadores, que não anunciaram que a frota não circularia.


O comércio acumula prejuízos enquanto o Centro fica esvaziado. Enquanto isso, a população continua recorrendo a alternativas para se locomover, mas não se incomoda e apoia a greve dos funcionários do Consórcio Guaicurus.


Motoristas abandonaram ônibus e greve quase provocou quebra-quebra

O STTCU-CG (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande) reivindicava, naquele outubro de 1994, que as empresas de ônibus — que em 2012 formariam o atual Consórcio Guaicurus — fizessem melhorias. Entre elas, o fim das dobras e a reposição salarial.


1994 foi o primeiro ano do real e trabalhadores demonstravam preocupação com as perdas com a nova moeda. Sem acordo, a categoria decidiu partir para o “tudo ou nada”: depois de uma assembleia, foi aprovado o movimento. O edital de greve foi publicado em 15 de outubro de 1994, em um jornal impresso.


Cinco dias depois, os empresários receberam ofício do sindicato comunicando que a greve começaria em 25 de outubro. Eles chegaram a recorrer à Justiça do Trabalho, mas a greve veio.


A população acabou pega de surpresa da forma como a greve começou. O sindicato orientou os motoristas a tomarem uma atitude inusitada: iniciar o itinerário e parar o ônibus em algum lugar.

Com isso, ônibus parados tomaram as ruas. No Centro, filas se formaram. As forças de segurança precisaram intervir para evitar mais caos em Campo Grande.


As empresas voltaram à Justiça do Trabalho, que mandou que os trabalhadores voltassem imediatamente. Em 28 de outubro, o transporte coletivo voltou a funcionar.


Na época, os empresários calcularam um prejuízo de R$ 56.199,65, por não terem transportado 367.318 passageiros nesses três dias. Em valores atuais, isso equivale a R$ 652.851,25.


A Justiça mandou o sindicato pagar multa pelo prejuízo. Depois de anos do processo se arrastando entre Campo Grande e Brasília, a multa foi mantida. Não há informações se foi efetivamente paga.


Movimento levou caos para toda Campo Grande, em três dias de 1994. (Foto: Ilustração Gerada pelo Gemini)
Movimento levou caos para toda Campo Grande, em três dias de 1994. (Foto: Ilustração Gerada pelo Gemini)

Greve no transporte coletivo em 2025

Na última quinta-feira (11), funcionários do Consórcio Guaicurus votaram a favor da paralisação que começou na segunda-feira (15). A categoria está com o salário de novembro atrasado.


O TRT da 24ª Região já emitiu duas decisões para que 70% do serviço volte a operar, mas os trabalhadores se recusaram a cumprir, e o sindicato pode ter que arcar com multa diária de R$ 200 mil.


Segundo a CDL/CG (Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande), cada dia de greve representa prejuízo de R$ 10 milhões ao comércio. Até o momento, a previsão indica que a greve segue por tempo indeterminado. 


Assim, conforme o sindicato, a categoria só voltará a trabalhar após o pagamento do salário atrasado de novembro, do 13º salário e do adiantamento do salário do dia 20, de uma só vez.



 
 
 

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